Crianças podem tomar suplemento alimentar?

Atualmente, alguns influenciadores digitais têm incentivado o uso de suplementos alimentares como whey protein e creatina para crianças. Porém, será que essa prática é segura e traz benefícios? Acompanhe a seguir para saber mais!

Qual a recomendação médica?

Médicos, nutricionistas e entidades de saúde não recomendam o consumo de suplementos alimentares pelas crianças. A quantidade de proteína que crianças e adolescentes devem consumir varia entre 0,85 e 0,95 g/kg/dia, valor que pode ser facilmente obtido por meio de uma alimentação variada e equilibrada composta por carnes, ovos, cereais, leguminosas, leites e derivados. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alertou através de uma nota divulgada em maio deste ano que “o uso de suplementos proteicos à base de whey protein e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve ser adotado de forma rotineira na adolescência”.  A organização também acrescentou que o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados é suficiente para atender às necessidades nutricionais de crianças e adolescentes.

Há situações em que a suplementação pode ser necessária?

A suplementação é indicada em situações específicas como desnutrição, doenças crônicas, síndromes de má absorção ou aumento de demanda metabólica. Porém, estes casos devem ser diagnosticados por profissionais e devem ser acompanhados por pediatras ou nutrólogos para avaliar cada caso individualmente.

Qual o risco do consumo excessivo de proteína?

Em sua nota, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) citou alguns estudos que apontam que o consumo de proteína em excesso pode sobrecarregar os rins e o fígado.

  • Nos rins: o excesso de proteína pode levar ao aumento da produção de uréia, o que obriga os rins a trabalhar mais para filtrar e limpar as substâncias do organismo. A longo prazo, isto pode causar lesões nos rins.
  • No fígado: neste caso, também há uma necessidade de maior trabalho do fígado que precisa metabolizar os aminoácidos e transformar a amônia produzida nesse processo em ureia.

Além disso, a proteína em excesso também provoca alterações metabólicas. Entre as consequências possíveis estão alterações na produção de hormônios ligados ao crescimento, como o IGF-1, e mudanças no equilíbrio energético do organismo. A longo prazo, os nutricionistas alertam que o consumo de suplementos alimentares por crianças pode reduzir o apetite delas para outros alimentos, o que pode comprometer a variedade da dieta e a ingestão de nutrientes importantes para o crescimento.

O perigo das redes sociais e a lógica da suplementação.

Ao rolar o feed das redes sociais, é muito comum encontrar conteúdos de hipertrofia, performance e de indicação de suplementos para as crianças. Entretanto, os especialistas alertam para o quão isto pode ser prejudicial, pois os pais encontram informações simplificadas ou sem base científica sobre nutrição infantil. Crianças devem se preocupar apenas em crescer de forma saudável, ter uma boa relação com a comida, dormir bem, brincar e se movimentar.

Por outro lado, também há conteúdos de qualidade e com base científica produzidos por profissionais que falam de educação e saúde das crianças. É importante saber filtrar e buscar orientação de profissionais de saúde e fontes científicas confiáveis.

Compartilhe este conteúdo com quem tem dúvidas sobre o consumo de suplementos alimentares por crianças. E acompanhe o blog e as redes sociais da Remed para mais conteúdo de qualidade sobre saúde. 

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